sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

SER VEGETARIANA - parte 8



Vou contar para você que desde criança não gostava de comer carne, e quando falo isso estou dizendo todos os tipos de carne.
Já pode imaginar a cara de horror da minha mãe, que acreditando ser necessário este alimento para meu crescimento me obrigava a comer dizendo: “Enquanto não comer tudo não pode sair da mesa”. Ai você pode imaginar a minha cara de pavor!
Cada refeição era um verdadeiro sofrimento, onde Eu ficava a revirar o prato, os olhos, o estômago. Sentar à mesa reunia a família, era gostoso, um falatório, uma alegria, mas todo mundo acabava, e podia seguir no seu dia, Eu tinha que permanecer ali, sozinha, no silêncio, com aquela carne, algo completamente assustador.  O tempo passava e ela ia ficando gelada, dura, cada vez mais ruim. Algumas vezes engolia sem mastigar, simplesmente botando pra dentro com direito a todo tipo de ânsia, que Eu engolia junto, outras meu grande salvador aparecia o “Super Dog”.
Aquilo tudo era desafiante, difícil de pensar em gostar, ainda mais quando ia ao açougue e podia ver aquelas carnes penduradas, as pernas de boi que chegavam e abasteciam o estabelecimento, tudo vermelho, cor e cheiro de sangue, nada apetecível. 
O frango era outra história, comprado na avícola, fresquinho, vivinho, ai você escolhia o mais bonitinho e eles matavam na hora pra poder levar pra casa.
Fala sério!!!! Eu queria passar longe, muito canibalismo pra minha cabeça. Esse dia era tenebroso, quando chegava à mesa aquele franguinho Eu só tinha olhos pra suas veias, lembrando do seu sangue e querendo fugir dali.
Com o peixe não era muito diferente. Seu Pedro, o peixeiro, passava toda quarta feira pela rua à vender o seu pescado. Um homem pequeno, de olhos azuis, tranqüilo, amoroso, até pegar sua faca e começar a limpar o peixe. Era muito habilidoso, sua mão deslizava suavemente destroçando o coitado do peixe.
Fica parecendo filme de horror, mas era pura realidade. Pense como era sentar à mesa nesse dia, Eu queria mais que as quartas feiras não existissem, ou que o Seu Pedro não aparecesse.
         Agora o que era bom e enchia os olhos e a boca d’água, era quando Seu Genésio chegava com sua jardineira verde cheia de frutas e legumes. Um sitiante italiano, falante, alegre, uma grande festa que envolvia a vizinhança e preenchia de sabor a dispensa lá de casa.
         Já dá pra sentir do que Eu gostava, mas optei por seguir o ritmo da família, não queria perder tempo sentada na mesa, Eu queria brincar, então resolvi engolir.
         Eu estava começando a me tornar um Ser adaptado, que se deixava ser conduzido simplesmente por uma questão de comodidade comendo e alimentando o que era melhor para o outro, me deixando ali bem escondidinha, com o nó na garganta.

O INSGHT - parte 9

O processo de adaptação foi tão intenso que mesmo adulta, fora de casa, continuava a comer carne sem tanta resistência, algo meio piloto automático, como se tivesse sido adestrada para aquele movimento. Segui nesse padrão até a tal crise chegar e me convidar a olhar para mim. O caminho era sentar e meditar, indo de encontro aos meus medos, e desejos. O hábito de meditar

Leia mais   >


O CONVITE - parte 7

Comecei a me sentir mais leve, plena, pronta para seguir em busca do que Eu realmente queria fazer, do que me encantava, me fazia sorrir. O caminho só estava começando e Eu continuava querendo ver tudo resolvido, ainda não sabia para onde ir, o que fazer, mas uma grande dúvida pairava sobre minha cabeça: "O que você vai comer agora?"

Leia mais   > 

Nenhum comentário:

Postar um comentário